“Ao vento, sob a chuva”

Em 2002, antes de deixar Salvador para experimentar a vida em São Paulo, recebi um cartão de Jan Aline. Nele, ela havia transcrito o trecho de um texto do filósofo francês Michel Serres. Quando me entregou o cartão, Jan me disse algo como “li isso e me lembrei tanto de você e dessa sua mudança que resolvi escrever”.

Dizia assim:

Continue lendo…

Dona da casa, me dá licença?

Um monte de gente me pergunta se essa quase volta ao mundo em seis meses não saiu muito cara. A resposta é: teria sido inviável se não tivéssemos a sorte de contar com anfitriões em quatro dos seis países visitados.

E porque essas pessoas abriram suas casas, cederam seu precioso tempo e nos permitiram conhecer lugares incríveis com a tranquilidade (e economia) de ter onde dormir confortavelmente, resolvi fazer uma pequena homenagem. Só para que vocês saibam quem são essas pessoas com lugares cativos na minha casa – seja lá onde ela for.

Continue lendo…

A Experiência Schumacher

A caminho de uma atividade extra, nos arredores de Devon.

“Vamos fazer um curso no Schumacher College?” Havíamos acabado de chegar à Índia quando Mari, amiga que nos acolheu em Auroville, fez a proposta. Eu já ouvira falar do Schumacher no Brasil. O lugar é uma referência para quem trabalha na área de desenvolvimento social e é o único a oferecer um mestrado em Ciência Holística. Definitivamente, eu queria muito ir lá. Aceitamos a proposta de Mari – não sem antes decidirmos pedir uma bolsa parcial, pois o valor é pago em libras (ui!). Bolsa concedida, lá fomos nós.

O Schumacher College fica na cidade de Totnes, condado de Devon, região sudoeste da Inglaterra, conhecida como Cornuália. Uma bela e antiga construção abriga as salas de aula, copa, cozinha, salas de convivência e biblioteca. Os quartos dos alunos – quem estuda no College deve se hospedar por lá mesmo – estão em prédios mais novos.
Continue lendo…

Pequeno dicionário indiano

Vista do ashram: o Ganges e Rishkesh ao fundo

Terminei minha primeira viagem pela Índia por onde muita gente começa. Foram 12 dias num ashram, o Arsha Vidya Pitham, na cidade sagrada de Rishikesh, norte do país. Passei esse tempo lendo sobre Vedanta, indo à pūjā e conhecendo pessoas que estudam com o Swami Dayananda Saraswati. Dito isso, vamos às explicações.

Ashram é um local de reclusão, um lugar reservado aos estudos voltados para o auto-conhecimento. Segundo a tradição indiana, toda pessoa deve aprofundar-se nesse assunto na quarta etapa da vida,  quando começa a se preparar para a velhice e para a morte, após ter constituído família, tido filhos e empreendido um negócio. Embora essa divisão da vida em fases esteja caindo em desuso, os jovens que procuram um ashram ainda são recebidos com admiração e apreço. Afinal, estão começando cedo…

Continue lendo…

Toma lá

Eu tenho uma tia famosa na família pelo seu talento em barganhar. Depois da temporada no Sudeste Asiático, me sinto em condições de dar continuidade ao seu legado. A barganha naquela região do mundo é mais do que um hábito, é uma instituição e quem tem vergonha ou receio de entrar no jogo vai, fatalmente, deixar de economizar uns bons trocados. De frutas a roupas, tudo por ali tem um “best price”.

Continue lendo…